André Carvalhal aborda a nova era da moda em evento da Santista

Além de apresentar seus lançamentos para o Inverno 2019 a Santista Jeanswear levou para o evento diversas palestras que abordaram mercado, tendências e consumo. Em sua apresentação, André Carvalhal, diretor criativo da Ahlma, falou sobre o novo cenário do mundo fashion e o que está mudando dentro do conceito da moda com propósito. André, que já trabalhou na Farm e Malha e irá lançar seu terceiro livro, comentou que as roupas expressam nossos sentimentos, o que gostaríamos de transmitir e que a construção de uma marca tem tudo a ver com a construção de uma pessoa. “A todo momento precisamos questionar e saber que direção seguir”, comenta André.

André Carvalhal - Foto: Reprodução

Tudo isso, claro, pensando na sustentabilidade e no bem estar dos funcionários. “A gente precisa do planeta saudável, de pessoas saudáveis e felizes com o que fazem”, afirma.

E a principal pergunta é: Como fazer moda, vender e ganhar dinheiro sem prejudicar o planeta e nós mesmos?
Segundo Carvalhal, a consciência é a melhor arma para seguir o novo cenário da moda atual. “As pessoas estão mais engajadas politicamente, socialmente, elas querem saber como as roupas são feitas e essa mudança de consciência é o que mais vai impactar nas vendas”.

Tudo mudou no mundo e a gente precisa entender como isso impacta no segmento fashion. As pessoas estão fugindo um pouco dos nichos onde todos têm que usar as mesmas roupas, consumir as mesmas coisas e, principalmente, estão percebendo que se não fizermos nada agora para barrar toda a destruição do meio ambiente, talvez os recursos naturais não existam para as próximas gerações. “Acredito que a moda como estávamos acostumados a consumir está chegando no final de seu ciclo”, afirma Carvalhal. Acontece que as empresas produzem cada vez mais coisas sem sentido, numa velocidade incrível, sempre tudo igual, e isso não satisfaz mais o cliente do futuro.

“Para que o preço abaixe, os funcionários ganham cada vez menos e desestruturamos o que conhecíamos como moda”, disse Carvalhal. E continua: “Parece que a gente enlouqueceu e não se deu conta. Ficamos no piloto automático sem saber o que as pessoas realmente querem. E a nova geração que já vem com um “chip” diferente está chegando para mudar tudo isso. Eles querem mais transparência, se preocupam com o meio ambiente e são super tecnológicos”, comenta Carvalhal.

O consumo não vai acabar, porém as pessoas vão comprar menos, utilizando meios alternativos de se vestir investindo nos brechós, troca ou aluguel de roupas e marcas sustentáveis. E as empresas precisam se preparar para essas transformações.

Segundo Carvalhal, 71% dos brasileiros só consomem produtos e serviços que geram identificação com seus valores, ideais e crenças. O lifestyle hoje não é mais suficiente. Além disso, 91% acredita que as empresas deveriam dar a mesma importância para os negócios e para a sociedade em que estão inseridas. Cada vez mais essa consciência e essa responsabilidade vão ser transferidas para as marcas.

Dentro de toda essa transformação do consumo de moda, 55% dos brasileiros estão dispostos a pagar mais por marcas que tenham esse propósito e estão desenvolvendo uma nova relação com as roupas com o crescimento de nichos com pegada ecológica, vegana, no gender, entre outras.

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