Akris: em modo #MeToo europeu

Este ano, o voto das mulheres na Inglaterra celebra o seu centenário, uma excelente razão para os anglo-saxões exaltarem a importância do movimento das Suffragettes. Bravo para Albert Kriemler, diretor criativo da Akris, por recriar looks de uma série de mulheres dinâmicas de Viena do início do século XX, que foram também líderes na luta pelos direitos civis das mulheres.

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Akris - outono-inverno 2018 - Moda feminina - Paris - © PixelFormula

Mulheres poderosas e inteligentes, que apoiavam o trabalho de artistas de vanguarda como Gustav Klimt e Egon Schiele, cujas obras foram projetadas em grande formato como pano de fundo deste desfile dinâmico. Os desenhos revolucionários de Schiele pressagiam uma nova era para as mulheres e uma redefinição dos cânones de beleza.
 
O desfile foi uma homenagem a mulheres como a fotógrafa Madame d’Ora e a jornalista francófila Berta Zuckerkandl, que deram o devido valor a estes grandes pintores e convidaram para os seus salões compositores como Gustav Mahler e Arnold Schoenberg. Estas mulheres austríacas tinham uma visão nova e meticulosa, que transpareceu em praticamente todos os looks desta coleção.

O que se viu, por exemplo, no corte perfeitamente medido e executado de uma parka em denim stretch com grandes bolsos práticos, ou num terno masculino costurado em ponto de sela, acompanhado por uma blusa em cetim combinando – tudo no azul safira icônico de Egon Schiele.
 
Uma coleção elegante e sempre plausível, como a blusa em caxemira de linhas suaves, apresentada com calças de pernas cônicas em pele de pitão num verde futurista, uma tonalidade que se via noutro dos quadros projetados dentro do Palais de Tokyo.
 
Kriemler até conseguiu captar a essência de um vestido de noite ornado com uma impressão abstrata, usado por uma dançarina numa fotografia erótica da autoria de Madame d’Ora; encontramo-la num dos esboços no programa, antes de a vermos desfilar com um soberbo casaco de renda.
 
A libertação das mulheres em Viena, meio século antes de o termo começar a ser utilizado.

“Em 1918, as mulheres ganharam acesso à educação universitária e o direito a votar em muitos países. Hoje, exatamente cem anos depois, num momento igualmente histórico para os direitos das mulheres, quero celebrar o espírito de Viena no início do século XX. É o espírito de liberdade, funcionalidade e autoexpressão que lançou uma era completamente nova para as mulheres”, explicou Kriemler.
 
O antepassado europeu do movimento #MeToo.

Traduzido por Estela Ataíde

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