A ducha fria nos negócios – e no varejo – brasileiro

O ano de 2018 foi um balde de água fria para o varejo – e para os negócios de uma maneira geral. Essa foi a visão de especialistas e estrategista de mercado presentes no painel “Perspectivas do varejo brasileiro sob a ótica de quem investe”, no BR Week deste ano.

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Em linhas gerais, os painelistas lembraram que o ano de 2018 poderia ter sido favorável aos negócios no Brasil. Afinal, os principais indicadores econômicos apresentados no segundo semestre de 2017 indicavam que o País parecia ter superado a crises entre os anos de 2015 e 2016. Mas a política nacional, mais uma vez, fez um gol contra a pátria de chuteiras – mais uma vez. Brasília foi novamente decisiva para derrubar a expectativa do PIB para este ano, o que piorou após a greve dos caminhoneiros.

Falta clareza

O clima agora é de expectativa. “Falta clareza sobre as possibilidades políticas para essas eleições. No entanto, há um alento: há quatro anos a situação era bem pior. Na última eleição houve uma queda de avião (e que vitimou Eduardo Campos, justamente um dos deputados). Isso resultou em uma reviravolta na política que culminou na vitória de uma candidata que seria impedida pouco depois”, disse Gustavo Camargo, sócio da Bain & Company e mediador do painel.

Fábio Monteiro, analista do setor varejista da BTG Pactual, também avaliou os resultados e revelou números catastróficos para o varejo nacional. Segundo ele, os varejistas que contrataram a consultoria da BTG tiveram queda de 49 no lucro em 2015. “Somando o resultado de 2016, a queda de lucros nos lucros foi de 75% em dois anos. Uma catástrofe”, avalia Monteiro.

Populismo

Na opinião de Marco Túlio Ayres Ribeiro, data strategist da XP Investimento, um fator também foi decisivo para o baixo desempenho da economia este ano: o fantasma do populismo nas decisões políticas.

“O momento é nebuloso e incerto. Penso que o marco de tudo isso seja a greve dos caminhoneiros. Veja: 80% da população brasileira apoiou a pauta dos grevistas, provavelmente incentivadas pela necessidade de reabastecer os seu carros. Essa é uma pauta populista e isso às vésperas de uma eleição. As pessoas precisam entender que não existe almoço grátis, mas foi exatamente esse tipo de subsídio que foi prometido aos grevistas. Isso parece um discurso agressivo, mas é a verdade e causa preocupação”, disse.

Solução

Uma saída possível é um olhar mais atento ao mundo digital. “Mesmo diante desse cenário, empresas de e-commerce como a B2W ou Via Varejo, tem a expectativa de crescimento. Hoje, na China, a penetração do varejo online é de 20% em todo o setor. No Brasil, seria de quase 4%. Podemos crescer ainda mais”, Obede Rodrigues, gestor de renda variável da Fator Administração de Recuros (FAR).

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