Nike, H&M e Burberry unem forças pela moda sustentável

Grandes marcas internacionais como Nike, H&M, Burberry e Gap aderiram a uma iniciativa que visa a sustentabilidade da indústria depois de um estudo revelar que menos de 1% das roupas são recicladas.


Reuters

A Fundação Ellen MacArthur, fundada pela recordista mundial de navegação, anunciou na quarta-feira que as marcas se juntaram ao seu programa Make Fashion Circular para reduzir os desperdícios provenientes do mundo da moda através da reciclagem de matérias-primas e produtos.
 
François Souchet, responsável pela iniciativa Make Fashion Circular, explicou que o objetivo é criar um "impulso imparável" em direção a uma economia na qual as roupas nunca sejam consideradas resíduos.

"Nos últimos 15 anos, a produção de roupas duplicou, enquanto a quantidade de tempo que usamos essas roupas antes de as descartar - geralmente para serem aterradas ou incineradas - caiu drasticamente", explicou Souchet à Thomson Reuters Foundation.

"Podemos transformar este modelo cada vez mais rápido num modelo no qual as roupas nunca sejam vistas como desperdício, através de um design melhor e novos modelos de negócios de leasing e revenda", disse num e-mail.

As quatro marcas irão juntar-se à estilista britânica Stella McCartney, que foi, no ano passado, a primeira a aderir a esta iniciativa, que visa eliminar os resíduos e a poluição e garantir que produtos e materiais sejam reutilizados.

Na altura, McCartney, defensora de longa data da moda sustentável, disse que a indústria "gerava muitos resíduos e era incrivelmente prejudicial para o meio ambiente", incentivando outras marcas a aderirem à iniciativa.

Num relatório publicado em novembro, a Fundação expôs a dimensão do desperdício e poluição na indústria da moda, revelando que menos de 1% das roupas são recicladas.

Anualmente, são libertadas meio milhão de toneladas de microfibras de plástico ao lavar roupa, o equivalente a mais de 50 bilhões de garrafas de plástico, agravando a poluição dos oceanos, informa o relatório.

As marcas participantes dedicarão três anos, trabalhando em colaboração o banco HSBC, a desenvolver formas práticas para que a indústria possa afastar-se de materiais e processos poluidores.

"Não existe uma única empresa que possa, por si só, resolver o desafio de mudar toda a indústria de um modelo de negócio linear para um circular, por isso é crucial uma abordagem colaborativa", disse o porta-voz da H&M, Iñigo Sáenz Maestre, num e-mail.
 
A H&M definiu como meta até 2030 utilizar apenas materiais reciclados ou outros materiais de origem sustentável e, atualmente, 35% da sua roupa é produzida desse modo.

Traduzido por Estela Ataíde

© Thomson Reuters 2018 All rights reserved.

Moda - Pronto-a-vestirEsporteModa - DiversosLuxo - Pronto-a-vestirLuxo - DiversosIndústria
ASSINE A NOSSA NEWSLETTER