"Manifestação" de Lagerfeld ocupa o Boulevard Chanel em Paris

Paris (Reuters/EP) – A vida é ótima no Boulevard Chanel, a fachada de rua criada pelo estilista Karl Lagerfeld para o seu desfile prêt-à-porter esta terça-feira, onde modelos longilíneas vestindo peças caras realizaram uma falsa manifestação como parte do espetáculo.
Foto: Cara Delevingne Instagram.

O comentário de Lagerfeld sobre a inclinação dos franceses a protestos desatou gargalhadas na plateia elegante reunida no Grand Palais, cercado nos quatro lados por um pano de fundo imenso retratando um bairro parisiense chique.

Na versão aprimorada da realidade de Lagerfeld, não se viam os famosos grafites de Paris, nem sujeira de cachorro empanando o brilho do Boulevard Chanel, só as dezenas e dezenas de ternos e vestidos de tons brilhantes do enérgico estilista alemão.

No encerramento, modelos como a brasileira Gisele Bündchen e a britânica Cara Delevingne fizeram uma passeata urbana ao som do hino feminista de Chaka Khan, "I'm Every Woman".
Chanel, um desfile que começou bem colorido. Foto: Pixel Formula

Armadas com megafones, as modelos agitavam cartazes com os dizeres “Os direitos das mulheres estão mais do que direito”, “Podemos marchar como os machões” e “Divórcio para todos”, acompanhadas de Lagerfeld, sempre de óculos escuros, rabo de cavalo e iPhone na mão.

Depois do espetáculo, Lagerfeld descartou qualquer mensagem política grandiloquente, dizendo simplesmente que parecia “certo naquele momento”.

“Não me faço questionamentos políticos nesse nível”, afirmou, ainda que tenha reconhecido que o cartaz “Divórcio para todos” tenha sido um deboche dos críticos da lei francesa do casamento gay, aprovada no ano passado.

“Cinquenta por cento dos casamentos terminam em divórcio, então esqueça!”, declarou.

No que diz respeito às roupas, Lagerfeld empregou tons de arco-íris e florais brilhantes, rompendo audaciosamente com a sua própria paleta de pintor.
A super modelo Gisele Bündchen não poderia ficar de fora do desfile Chanel. Foto: Agência Fotosite

Os ternos de tweed clássicos da Chanel, em preto e cinza, tiveram como contrapartida blusas em tons psicodélicos, uma justaposição do sensível e do ultrajante que permeou a coleção.

Capas em combinações vívidas de fúcsia, escarlate, turquesa e amarelo lembravam aquarelas caleidoscópicas, às vezes, combinadas com um forro de bolinhas e uma decoração floral multicolorida adornando vestidos e tops feitos de contas metálicas brilhantes.

A coleção, que ainda incluiu malhas estilo marinheiro e com faixas brancas e ternos risca de giz brilhantes com calças folgadas, teve um toque feminino excêntrico com as golas brancas amplas, lembrando as pinturas flamengas do museu do Louvre.

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